Médicos alertam que não se pode abrir mão de
cuidados pessoais
Publicado em 18/02/2021 – 06:30 Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil –
Brasília
Foto de Rovena Rosa/Agência Brasil
Fonte Agência Brasil
O início da campanha de vacinação contra a covid-19 levou esperança a
milhões de brasileiros que esperam pelo momento em que poderão retomar
uma rotina mais próxima à qual estavam habituados até o início da pandemia.
Mesmo que lentamente, a imunização está avançando entre profissionais da
saúde e pessoas dos grupos de risco.
O entusiasmo, no entanto, não deve levar ninguém a abrir mão de cuidados
pessoais, sob risco não só de adoecer em um momento em que o sistema de
saúde continua sob pressão, mas também de colocar em perigo a estratégia
nacional de imunização. Especialistas lembram que, além de nenhuma vacina
ser 100% eficaz, principalmente diante do risco de surgimento de novas
variantes, o corpo humano demora algum tempo para começar a produzir os
anticorpos que protegerão o organismo contra a ação do novo coronavírus.
Tempo médio
Segundo a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), a
pediatra Isabella Ballalai, em média o tempo mínimo para que o sistema imune
esteja apto a responder adequadamente contra a presença de qualquer agente
patogênico causador de doenças é de, no mínimo, 14 dias após receber a
primeira dose de uma vacina. Mas cada imunizante tem seu próprio tempo
médio para ativar o sistema imunológico, conforme descrito por seus
fabricantes.
Fiocruz
A dose da AstraZeneca, por exemplo, é capaz de atingir uma eficácia geral de
proteção da ordem de 76% 22 dias após a aplicação da primeira dose. O
percentual pode superar os 82% após a pessoa receber a segunda dose,
segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por produzir, no
Brasil, a vacina em parceria com a farmacêutica e a Universidade de Oxford.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet, no início do mês,
sustenta que a maior taxa de eficácia é atingida quando respeitado o intervalo
de três meses entre a primeira e a segunda dose.
Butantan
O Instituto Butantan, parceiro do laboratório chinês Sinovac no
desenvolvimento da CoronaVac, afirma que são necessárias, em geral, duas
semanas após a segunda dose para que a pessoa esteja protegida, já que
esse é o tempo que o sistema leva para criar anticorpos neutralizantes que
barram a entrada do vírus nas células. Ainda segundo o instituto, uma
quantidade maior de anticorpos pode ser registrada até um mês após o fim da
vacinação, também variando de indivíduo para indivíduo.
"É importante esperar, porém, que grande parte da população tenha sido
imunizada antes de voltarmos aos antigos hábitos, para evitar contaminar
outras pessoas, já que o indivíduo que tomou a vacina ainda pode transmitir o
vírus. Mesmo após a imunização, ainda será preciso manter medidas de
segurança, como o uso de máscara e a higienização constante das mãos."
Cuidados
“Ao tomar uma vacina, a pessoa tem que aguardar pela ação do seu próprio
sistema imunológico, que vai produzir os anticorpos que irão protegê-la”,
reforça Isabella, destacando a importância de, mesmo após tomar
a segunda dose, a pessoa continuar usando máscaras, evitando
aglomerações, higienizando as mãos e objetos e respeitando as
recomendações das autoridades sanitárias.
“É muito importante que as pessoas entendam que será preciso continuar
tomando os mesmos cuidados por mais algum tempo. Este ano tende a ser
melhor que 2020, pois já temos mais conhecimento e algumas respostas à
doença, mas, infelizmente, 2021 será ainda de distanciamento e de uso de
máscaras”, acrescenta a vice-presidente da SBIm, acrescentando que, para
diminuir a transmissão da doença, será preciso vacinar, no mínimo, 60% da
população brasileira.
“Ainda temos muitos desafios para controlar a doença. Há o risco do
surgimento de novas variantes – mesmo que a maioria das vacinas esteja
demonstrando ser eficaz também contra algumas das variantes já identificadas,
em algum momento isso pode não ocorrer. Logo, ainda não é hora de relaxar.
Ainda não é hora de retirarmos as máscaras e desrespeitar o distanciamento
social”, alerta Isabella.
Edição: Graça Adjuto